(Resenha – Livro) “Muito mais que cinco minutos”, da Kéfera Buchmann

Muito mais que cinco minutos da Kéfera BuchmannTítulo: Muito mais que cinco minutos

Autora: Kéfera Buchmann

Gênero: Autobiografia

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 144

Ano: 2015

ISBN: 9788584390113

Entrando na aposta (certeira) de autobiografias de youtubers, a Companhia das Letras lançou agora em 2015 “Muito mais que cinco minutos”, de autoria da Kéfera Buchmann. Um sucesso absoluto e que em pouco tempo entrou para a lista dos mais vendidos do país.

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Kéfera é uma das maiores celebridades da internet, possuindo milhares de fãs espalhados em diferentes redes sociais. Seu sucesso teve início com o seu canal do Youtube, “5 Minutos”, criado em 2010 e que até hoje é um dos líderes em acessos no Brasil.

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O livro é bem ilustrado com fotografias da autora e a arte é linda. O li em pouco tempo porque o texto fluiu muito bem. As histórias narradas na obra são extremamente cômicas (não tenho palavras para o caso da depiladora), ao mesmo tempo que a Kéfera tem a preocupação de abordar assuntos mais sérios, como é o caso do bullying.

“(…) se você tem um amigo verdadeiro, valorize. É raro a gente conseguir achar pessoas que torçam sinceramente por nós. De verdade mesmo”

— Muito mais que cinco minutos; Kéfera Buchmann.

Na obra podemos observar um outro lado da autora que raramente é mostrado no Youtube, como os seus momentos de desespero, constrangimento, extrema tristeza na infância e adolescência e como dia após dia ela conseguiu contornar muitos dos seus problemas.

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Para mim, o único ponto negativo é que não são contadas suas experiências pós criação do seu canal, entretanto, ao final do “Muito mais que cinco minutos” a Kéfera sugere que esse será o tema de um suposto segundo livro.

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(Resenha – Livro) “Não faz sentido: por trás da câmera” do Felipe Neto

Não faz sentido por trás da câmeraTítulo: Não faz sentido: por trás da câmera
Autor: Felipe Neto
Gênero: Auto-biograia
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 272
Ano: 2013
ISBN-13: 9788577343935
ISBN-10: 8577343936

Ler este livro foi quase um acidente: só o separei devido a um misto de curiosidade e tentativa de olhar o Felipe Neto de uma forma diferente, afinal, quando conheci o trabalho dele eu via um cara oportunista que queria chamar atenção fazendo vídeos criticando o que era popular no momento (confesso envergonhada que parte desta minha opinião foi moldada pela imprensa). Depois comecei a vê-lo como um rapaz que amadureceu e pediu desculpas por muitas besteiras que falou e, por fim, como alguém que criou um personagem icônico, mas que o usou para dar sua opinião acima da dos outros (embora o próprio Felipe insista para a sua audiência não usar o que ele diz como verdade absoluta).

Apesar de tê-lo separado, deixei o livro encostado por muito tempo, já que não estava muito inclinada a lê-lo. É tanto que eu tinha até esquecido da sua existência. Contudo, certa noite eu estava olhando de forma despretensiosa a minha lista de títulos e o vi lá no meio. Como o canal do Arqueologia está na sua fase de embrião para girino, e eu realmente tenho poucas referências sobre como lhe dar com o público, resolvi pegá-lo para ler.

Meu primeiro julgamento foi com a capa. Lá estava ele, aquele cara arrogante e os famosos óculos escuros me encarando. Não me levem a mal, eu já assisti vídeos do Felipe Neto e dei muitas gargalhadas com alguns deles, mas o ar prepotente do personagem sempre incomodou, o que, como consequência, não me dava espaço para simpatizar com o próprio Felipe.

Contudo, ainda temos o Felipe empresário, que é um cara que soube investir na internet e era esse o Felipe que eu queria conhecer mais, então resolvi fazer uma leitura.

A obra faz um passeio até o seu passado, nos apresentando algumas das situações que o levou a criar um canal no Youtube, seu estrondoso sucesso em visualizações e nos levando ao momento em que ele torna-se empresário. É uma leitura simples, despretensiosa, onde o Felipe abre o jogo e escreve de forma livre suas frustrações, sucessos e medos, e foi exatamente esse último ponto que mais gostei: a sua disposição em ser aberto com o leitor, falando sobre os seus problemas pessoais resultante do sucesso do “Não faz sentido”, a exemplo da sua depressão e dificuldades com ansiedade.

Também o vemos explicar como foi encontrar cara a cara seus “desafetos”, a exemplo da Preta Gil e o Fiuk, duas pessoas as quais ele reconhece que te deram lições para entender o sucesso e como sobreviver a todas as coisas negativas que vêm com ele.

Porém não creio que o autor tenha entendido bem o seu papel no mundo do entretenimento ou ele estava ainda imaturo quanto a isso na época em que escreveu sua auto-biografia, porque no próprio “Não faz sentido: por trás da câmera” ele fala que entretenimento não educa, mas em várias passagens ele explica a gratidão de alguns professores que usam/usavam seus vídeos em sala de aula. Foi contraditório.

Contudo, embora ele seja conflitante e algumas vezes até agressivo, para quem quer conhecer a história do Youtube no Brasil vale a leitura. Por mais que o trabalho dele não me agrade é inegável a importância da história do Felipe para o desenvolvimento na criação de conteúdo para a internet.

No geral, é uma leitura interessante, mas não está entre as melhores que fiz neste ano de 2015. Acredito que o Felipe e o seu editor deveria dar uma repaginada no material. Ele tem muitas histórias interessantes para contar, mas por hora “Não faz sentido: por trás da câmera” é só uma leitura satisfatória e com algumas boas curiosidades.

Já para quem é fã certamente será um prato cheio.

(Resenha) “A menina que colecionava borboletas”, de Bruna Vieira

A menina que colecionava borboletas

Título: A menina que colecionava borboletas

Autora: Bruna Vieira

Editora: Gutenberg

Nº de páginas: 152

ISBN: 978-85-8235-122-2

Hora ficção, hora um lapso da vida da autora, este livro é uma antologia de alguns sentimentos femininos em alguns momentos enfadonhos, em outros curiosos. Confesso que tive uma relação de amor e ódio com esta obra e precisei conversar com outra garota para poder entendê-la.

A principio eu não tinha interesse alguma por “A menina que colecionava borboletas”, a única coisa que me parecia verdadeiramente curiosa era a capa que é de uma beleza notável, contudo passei por um certo período de grande atividade com o meu site e eu precisava “escutar” o que uma “amiga” teria para me falar sobre o assunto, dar concelhos de como lhe dar com a popularidade que estava começando a ficar incomoda. Estacionei em uma livraria e em um breve passeio reencontrei esse livro e resolvi dar uma lida.

Já na apresentação a Bruna fala sobre aniversário e tentar não levar a sério as expectativas alheias. Parecia perfeito para mim não somente para entender outra pessoa que tinha passado por algo parecido comigo, mas porque em poucas semanas eu estaria aniversariando e aniversário sempre é uma data tensa para mim não por conta da nova idade, mas porque parece que todos os anos todos fazem competição para me irritar, enquanto eu só gostaria de ficar quieta em um canto.

Levei o livro para casa e não poderia estar mais enganada sobre o conteúdo.

O que eram crônicas interessantes tornaram-se em uma coletânea de choro angustiado adolescente e foi quase um martírio chegar até a metade da obra. Um misto de arrependimento e tentativa de finalizar o livro me preencheu até que fui desabafar com uma das minhas irmãs. Eu precisava “por para fora” o quanto aquelas crônicas eram ridículas, até que ela esclareceu que apesar de parecer situações surreais muito do que a Bruna estava citando em seus textos ocorriam com pessoas reais, muitas delas meninas ainda confusas com a própria maturidade sexual ou atordoadas pela expectativa da sociedade do que seria o seu “papel como mulher”.

Ter essa conversa abriu meus olhos, comecei a entender as dificuldades, inseguranças e anseios pelos quais as meninas eram obrigadas a passar por simples convenção social de “ter que amar” ou por pura imaturidade. Como muitas delas idealizam e superestimam o amor enquanto a realidade é muito mais crua. Caiu a ficha de que a autora é uma ótima observadora e isso explicou porque ela faz tanto sucesso entre o público adolescente.

Estar no comando da própria vida é uma das melhores sensações que o ser humano consegue experimentar. A melhor, até onde sei, ainda é o amor. Viver as duas coisas ao mesmo tempo não é tão simples quanto parece, como descrevem os filmes e livros. É raro. Muito raro. Nossa sorte é que tentar também é divertido — A menina que colecionava borboletas; pág. 15.

O livro foi escrito de forma bem impessoal onde encontramos termos como “sabe”, “né”, etc, como se ela estivesse conversando com alguém com quem tem grande amizade ou em seu diário. A obra também é composta por ilustrações da artista Malena Flores, a mesma desenhista que fez a capa.

Bruna, em um vídeo do seu canal, chegou a comentar o que estava planejando ao usar o termo “borboletas” no título. Ela queria fazer uma analogia com sentimentos e sentimentalismo é o que não falta nessa obra, o que pode incomodar um pouco as (os) leitoras (es) mais duras (os). Contudo, entre um texto e outro ela oscila entre aceitação da aparência, vida amorosa e trabalho. Em momento algum ela descreve garotas perfeitas, somente reais, então acho um livro válido para ler, especialmente se o (a) leitor (a) tiver interesse em ler vários recortes de reflexões em formato de crônicas somando ao fato de que a Bruna Vieira é uma autora que está crescendo cada vez mais, o que nos dá margem para imaginar no que ela se transformará em um futuro próximo. Mas já deixarei logo claro: alguns dos textos são tão melosos que dará vontade de arrancar os fios dos cabelos.

(Comentário) “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de J. K. Rowling

Harry Potter e a Pedra FilosofalTítulo: Harry Potter e a Pedra Filosofal

Autora: J. K. Rowling

Gênero: Infanto-Infantil

Editora: Rocco

Nº de páginas: 223

ISBN: 85-325-1101-5

É praticamente desnecessário explicar quem é Harry Potter, uma mania que começou a partir da década de 1990 e até hoje é amado por milhares e crianças e adultos. Eu comecei a me interessar pela estória do órfão Harry quando li a história de vida da autora, a Joanne Kathleen Rowling, mais conhecida como J. K. Rowling. A escritora estava na miséria e tinha acabado de ser mãe. Outrora ela era casada com um português e vivia no país ibérico, mas depois de roupantes de violência doméstica ela deu entrada no divórcio e retornou para o seu país natal, Inglaterra, para viver só com a filha. Elas mal tinham dinheiro para comer, muito menos para pagar por um aquecedor, então, para tentar esquentar sua bebê durante o frio inglês ela ia para uma cafeteria. Na tentativa de não ser expulsa do estabelecimento ela pedia somente uma xícara de café e enrolava a tarde inteira com a bebida. Para passar o tempo e parecer que estava muito ocupada passou a escrever as primeiras páginas de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.

Harry Potter e a Pedra Filosofal - 01

O enredo é sobre o garotinho Harry Potter, que órfão de pai e mãe é entregue ainda bebê para os tios, os Durleys, para ser criado. No entanto, por um motivo que ainda não lhe é aparente, os seus parentes não o suportam e o trata literalmente como um escravo. Certa tarde ele recebe pela primeira vez na sua vida uma carta, mas é proibido pelos Durleys de abrir. Com o tempo ele vai recebendo cada vez mais cartas, das formas mais inusitadas, até receber a visita do gigante Rúbeo Hagrid que resolve ele mesmo entregar a carta em mãos para o menino.

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Harry então descobre que é um bruxo, que os seus pais foram mortos por um terrível feiticeiro, tão temido que todos o chamam de Você-sabe-quem, mas que desapareceu após tentar assassinar Harry (não antes de deixar somente uma pequena cicatriz em forma de raio na testa do menino), o que leva muitos a crer que o bebezinho possuía algum poder especial. Por esse motivo no mundo mágico o garoto era bastante famoso, embora ele não fizesse a menor ideia. Ele acaba por saber também que o conteúdo da carta é um convite para ingressar na escola de feitiçaria Hogwarts.

Harry Potter e a Pedra Filosofal - 03

Eu não tenho nenhum apontamento negativo, para quem gosta de literatura fantástica e não tem preconceito algum com livro infanto-juvenil precisa ler “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, porque este volume compõe uma obra magnifica e rica. O resultado? Os vários fãs espalhados pelo o mundo. O livro virou um Best Seller merecidamente. A J. K. Rowling criou um universo divertidíssimo e que vale a pena ser explorado.

(Resenha – livro) “Procura-se um marido”, de Carina Rissi

Procura-se um marido - resenhaTítulo: Procura-se um marido

Autora: Carina Rissi

Gênero: Chick Lit

Editora: Editora Verus

Nº de páginas: 474

ISBN: 978-85-7686-198-0

Este livro foi para mim um grande exemplo de obra comprada por conta da autora, neste caso a Carina Rissi, do que pelo próprio enredo em si. Quando iniciei a leitura da sinopse comecei a imaginar que a proposta do livro era bem machista, com a trama da jovem e inconsequente protagonista Alicia que por ser irresponsável e pouco interessada nos negócios milionários da família recebe a notícia de que o seu avô, o Narciso, determinou que ela deveria se cassar, porque somente um marido poderia ajustá-la. Entretanto dei uma chance mesmo assim, já que eu tinha lido um título anterior da Carina, o “Perdida“, que realmente foi uma leitura divertida.

Procura-se um marido+Carina Rissi + 01

Acabei levando o tal livro para casa ainda cheia de preocupações, imaginando se valia a pena investir na leitura, até que a iniciei de fato; Alicia é uma garota de 24 anos extremamente irresponsável, que após a morte dos pais em sua infância passa a ser criada pelo o seu avô Narciso, dono da L&L Cosméticos, que muito doente e aborrecido pelas imprudências da neta e sua insistência em não querer trabalhar determina que ela só herdará seus negócios após apresentar um esposo — com o qual ela deveria estar casada há mais de um ano —, caso contrário ela não poderia mais ter acesso ao dinheiro da família. Como não tinha um namorado ou amigo que poderia tomar como um marido temporário ela resolve deixar um anúncio no jornal com a seguinte proposta:

Procura-se um marido por curta temporada. Homem entre 21 e 35 anos, que tenha imóvel próprio e emprego estável, disponível para matrimônio. Boa aparência não é exigida. Apresentação de antecedentes criminais obrigatória. Casamento de aparência. Sexo está excluído do acordo. Paga-se bem no término do contrato. Tratar com Lili pelo telefone… — Procura-se um Marido; pág 76.

Alguns dos pretendentes que aparecem em resposta ao anúncio definitivamente dão espaço para muitas gargalhadas…

Acerca da minha preocupação inicial, a ver com o fato de que a protagonista Alicia estava sendo obrigada a se casar para “criar juízo”, o que é um absurdo, posso alertar que com o passar da leitura esta determinação do Narciso tem um motivo oculto e inclusive desperta fortes críticas por parte de alguns dos personagens. Também temos o elemento do conto de fadas, no sentido da magia mesmo, uma das características das obras da Carina, onde ela mistura o real com a fantasia e nesta obra em questão ela abre este espaço colocando-o como um elemento chave.

Procura-se um marido+Carina Rissi + 02

Acerca do protagonista masculino, o Max, não o achei tão interessante. Toda vez que eu lia alguma descrição sobre o aspecto físico dele só lembrava do Fabio Lanzoni, famoso modelo que estampou várias capas daqueles romances que vendem (ou vendiam?) em bancas de jornais e revistas… O que criou na minha cabeça um personagem de aspecto exageradamente sensual, forçosamente um deus grego dos romances e da mulherada, mas não é nada que desmereça o livro. Ainda sobre ele podemos notar a inspiração na civilização romana: o nome dele na verdade é Maximus, o seu pai chama-se  Julius e o seu irmão Marcus.

Procura-se um marido+Carina Rissi + 03

Uma das pouquíssimas coisas que me desagradou no livro foi o uso do termo “vagabunda”. Para algumas pessoas a utilização desta palavra é normal para designar mulheres que são suas “rivais” (seja no trabalho ou — principalmente — na vida amorosa), mas este termo possui uma carga histórica e social muito pesada (meu lado arqueóloga aflorando!), já que é usado para chamar qualquer mulher que não se enquadra no papel ao qual ela foi designada, seja a ver com os “códigos dos bons costumes” ou a de submissão, passividade etc.

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Achei em alguns momentos o livro um pouco massante, mas no geral é uma obra divertida e acredito que será um presente para as (os) fãns de Chick lit.

(Resenha – livro) O Castelo Animado, de Diana Wynne Jones

livro O Castelo Animado + ResenhaTítulo original: Howl’s Moving Castle

Autora: Wynne Jones

Editora: Galera Record

Nº de páginas: 320

ISBN: 978-85-0107-546-8

“O Castelo Animado”, cujo o título original é Howl’s Moving Castle (“O Castelo Móvel de Howl”), foi publicado pela primeira vez em 1986. A autora do livro é a Diana Wynne Jones, uma britânica que infelizmente faleceu em 2011. A história de como ela idealizou a obra é interessante: quando estava visitando uma escola infantil para promover suas publicações um garoto se aproximou dela e sugeriu que em sua próxima estória ela escrevesse sobre um castelo que pudesse caminhar. Ela seguiu o conselho e, claro, dedicou o título ao garoto:

“Este é para o Stephen

A ideia para este livro me foi sugerida, numa escola que eu visitava, por um menino que me pediu que escrevesse um livro chamado O castelo animado. Anotei o nome dele e o guardei num lugar tão seguro que até hoje não consegui encontrá-lo. Gostaria de agradecer muito a ele.”

O livro narra as aventuras de Sophie, uma garota de 17 anos herdeira de uma chapelaria que em um determinado dia, durante seu expediente de trabalho, recebe a visita de uma mulher misteriosa que se identifica como a temível Bruxa das Terras Desoladas e que a transforma em uma idosa de cerca de 90 anos. Transtornada e com medo da reação das suas familiares (sua madrasta e duas irmãs mais novas), Sophie foge de sua cidade natal e encontra abrigo no castelo móvel do mago Howl, cuja fama de devorador de corações de jovens moças corre por todo o reino.

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Dentro do castelo ela conhece um demônio do fogo chamado Calcifer que propõe-lhe um acordo: caso ela consiga destruir a ligação dele com o mago Howl, Calcifer poderá usar seus próprios poderes para acabar com a maldição dela. Assim a Sophie começa a morar no local e passa por experiências que ela jamais sonhou um dia que passaria, caso vivesse isolada, cuidando da chapelaria.

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O livro é narrado em terceira pessoa e a estória é uma graça, muito divertida de acompanhar, mas algumas partes foram para mim um pouco maçantes, como a viagem com a bota-de-sete-léguas e a caça às estrelas cadentes, mas acho que o meu tédio tem relação com o fato de que o filme “O Castelo Animado”, produzido pelo estúdio Ghibli é um dos meus favoritos e estas cenas são algumas das muitas que não existem na adaptação para os cinemas. Aproveito para explicar que exitem algumas diferenças cruciais entre o livro e o filme, são assuntos que merecem um post só para eles, mas darei alguns exemplos: como já escrevi a Sophie tem duas irmãs e não uma como no filme, Michael é um pouco mais velho na obra escrita e a maga Suliman… Bem, no livro ela é um homem e está desaparecido.

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Agora, o que falar do protagonista masculino, o Howl? De toda a história ele é o personagem mais egocêntrico, imaturo e esquivo, mas apesar dessas características negativas ele é extremamente carismático, o que é bem estranho já que no mundo real ele seria uma pessoa extremamente difícil de conviver. Existe até uma frase famosa da Jones acerca da opinião de algumas leitoras acerca do Howl:

“The one big, strange fact about Howl is that almost every young woman who reads about him wants to marry him”. — Diana Wynne Jones

“O único fato mais estranho acerca do Howl é que quase todas as moças jovens que lê sobre ele querem casar com ele”. — Diana Wynne Jones

Publicado pela Galera Record, a capa da versão brasileira é uma das mais bonitas já escolhidas. Ela foi ilustrada pelo Rafael Nobre, que já trabalhou com outros títulos também. Clique aqui e confira o site dele.

(Resenha – Livro) “Erros Fantásticos: o discurso ‘Faça Boa Arte'”, de Neil Gaiman

Erros Fantasticos- o Discurso 'Faça Boa Arte'

Título: Erros Fantásticos: o discurso “Faça Boa Arte”
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
I.S.B.N.978-85-8057-499-9
Ano: 2014

Sendo uma transcrição em português do discurso do autor e desenhista Neil Gaiman, “Erros Fantásticos: o discurso ‘Faça Boa Arte'” é um pedido modesto, mas apresentado de forma profunda durante a sua alocução para os recém-formados da turma de 2012 da University of the Arts na Filadélfia e conseguinte mostrado graficamente neste livro pelo artista Chip Kidd.

Seguindo a linha dos discursos motivacionais usualmente apresentados por grandes nomes (vide o famoso discurso de Steve Jobs para dos formandos da University of Stanford em 2005), o discurso de Gaiman é uma tentativa de inspirar o receptor a aproveitar sua jornada de aprendizado, sua busca pelo reconhecimento e principalmente, assim que alcançar seus objetivos, tentar desfrutar do momento.

(…) relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares memoráveis e inesperados.

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Rememorando suas experiências, ele afirma que até por trás das moléstias do competitivo e por vezes pouco rentável mundo dos freelances existe sempre um lado positivo:

Se vocês estão cometendo erros, significa que vocês estão por aí fazendo algo. E os erros em si podem ser úteis. Uma vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei, “Coraline parece um nome real…”

Erros fantásticos - faça boa arte - Neil Gaiman - 02

Em uma das passagens mais famosas ele explica que se algo der profundamente errado, que seja feita uma boa arte:

O marido fugiu com uma política(o)? Faça boa arte. Perna esmagada e depois devorada por uma jibóia mutante? Faça boa arte. IR te rastreando? Faça boa arte. Gato explodiu? Faça boa arte. Alguém na internet pensa que o que você faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte. Provavelmente as coisas se resolverão de algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não importa. Faça apenas o que você faz de melhor. Faça boa arte.
Faça-a nos dias bons também.

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O discurso completo em si está disponível para a leitura e visualização em várias plataformas da internet, mas o livro, além de ter um designer lindo, pode ser uma recordação visual sempre à disposição, rememorando as palavras de Gaiman.

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