Dois dias de Bruna Vieira

Nossa! Estou devendo este post há quanto tempo? Ele ficou aqui guardadinho e eu nem tinha me ligado. Mea culpa!

Bom, é o seguinte: A escritora, bloguera e vloguer Bruna Vieira esteve em Aracaju novembro passado (2015) para uma tarde de autógrafos preparada pela Livraria Escariz e um bate-papo fechado organizado pelo Colégio Módulo. A boa é que eu consegui ir para ambos.

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Bruna em Aracaju durante o bate-papo do Módulo. 2015.

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Alguns dos títulos escritos por ela. Já li todos, mas por hora aqui no blog só disponibilizei a resenha de um: “A menina que colecionava borboletas“.

Ao contrário do que ocorreu em 2013 eu achei a tarde de autógrafos desa vez bem organizada. Enquanto que da outra vez entregaram senhas numéricas e na hora do evento ocorreu um “salve-se quem puder”, com direito a muita gente furando fila. Mas no do ano passado foi bem diferente: entregaram as senhas para nós pela manhã e só voltamos a tarde onde nos organizamos de acordo com as nossas senhas.

E como foi bem mais tranquilo nós blogueiros e vloguers pudemos curtir mais a companhia uns dos outros. :3

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Eu e o pessoal do Leitura 3D.

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Minha camerawoman agregando valor.

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Parceira no crime.

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Já o bate-pato no Módulo seguiu no mesmo modelo da versão com a Babi Dewet e foi legal escutar um pouco sobre a experiencia da Bruna como escritora.

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Neste evento também ocorreu uma seção de autógrafos, o que me permitiu ter todos os meus livros escritos por ela assinados. E ela foi legal deixando eu filmá-la enquanto escrevia uma dedicatória ❤

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Valeu aê Bruna.

Felizmente gravei um vlog para que quem não pôde ir possa conferir um pouco do que rolou. Adianto logo que ele ficou com mais de meia hora de duração, mas foi porque fiquei com muita pena de cortar a maioria das falas da Bruna que explicou sobre o mundo editorial e deu conselhos para quem quer um dia ser escritor (a). Então aproveitem esse vlog misturado com uma mini aula para novos autores 😀

E não esqueçam de deixar o seu “curtir” e inscrevam-se no canal.

 

Viih Tube, Picasso e livros de Youtubers

Desde que a Kéfera lançou o seu livro “Muito mais que 5 minutos” e instantaneamente virou best seller vi uma onda de ódio se alastrar pela internet contra obras escritas por youtubers. Se bem que em verdade o ódio coletivo a esta profissão (sim, isto é uma profissão e por vezes mal remunerada) existe desde que alguns veículos de imprensa revelaram que vlogueiras (os) costumam receber por mês grandes somas em dinheiro, sugerindo que esta “molecada que só faz ligar a câmera na casa dos pais” estava ganhando mais que aquele cidadão que tem um “emprego de verdade”. Então deixa eu te contar que muitos destes valores revelados nem sempre são verdadeiros.

Que alguns youtubers ganham muito isso é real, mas estes contam-se nos dedos. Mas isso não é desculpa para tentar minimizar ninguém. Se seu vizinho ou você precisa acordar cedo, pegar um ónibus lotado para ir para o trabalho, ficar lá por mais de 12 horas e ganhar bem menos que eles (os youtubers) – e você os odeia por isso – só posso te dizer uma coisa: sinto muito, o mundo não é justo.

Não adianta ficar comparando a sua vida com a vida de um youtuber, não faz sentido. Muito menos xingá-lo, até porque além de ser mal-educado e desumano.

Recentemente viralizou um vídeo da vlogueira Viih Tube e o seu equivoco ao achar que um Romero Britto era Picasso. Eu não cheguei a ver o vídeo, só vi compartilhamentos aos montes. Primeiramente eu tinha pensado que era só uma criança que tinha dito uma bobagem, o que muitas dizem (e inclusive muitos adultos), e que agora estava extremamente conhecida por conta deste erro. Achei bem injusto, ninguém merece uma exposição destas. Imagine-se na seguinte situação: você na escola recebendo vários dedos apontando para a sua face no pátio com coros de “ha ha que burra!”. Agora se imagine na mesma situação, mas na internet.

capa_tudo tem uma primeira vez - ViihTubeDepois fiquei sabendo que aquela menina era a Viih Tube, a qual só conhecia o nome, mas jamais vi qualquer vídeo ou foto. Mesmo sabendo que ela é famosa em seu meio ainda assim achei os julgamentos muito injustos. Então foi que eu soube que ela tem um livro em pré-venda, editorado pela Intrínseca e dias depois eu já lia vários comentários negativos no Instragram da editora.

Vi reclamações que variavam entre “livros de youtubers estão destruindo com a literatura nacional”, que “eu me esforço tanto enviando há tantos anos meus originais para as editoras e nenhuma aceita e uma idiota desta aparece e vocês publicam”, e assim vai. Doeu o coração de ver tanto ódio destilado e tanta ignorância unida acerca de como funciona o meio editorial. Alguém que envia seu original “há tantos anos” para várias editoras deveria saber como este tipo de mercado funciona.

Bom, livros de youtubers não estão destruindo a literatura brasileira, até porque alguns são bons. A Bruna Vieira é um bom exemplo, assim como a Babi Dewet. Outros são ótimos para você sentar e dar umas boas risadas, como o da Kéfera. Fora que não é difícil ver em lançamentos de livros de youtubers os fãs não só comprarem o livro pretendido, mas passar o olho em outros. Quando você compra um livro e gosta, percebe que é divertido ler e consequentemente não é difícil pensar em procurar novos títulos, afinal, não foi assim que a maioria de nós leitores assíduos começamos?

Fora que para uma editora investir no livro de um youtuber é a mesma questão que se empenhar em um daqueles livros de colorir que as pessoas tanto criticaram. Ambos, como normalmente vendem muito, são o que mantém as contas das editoras em dia e inclusive o excedente é usado na publicação de um outro autor. Quem envia originais para várias editoras sabe muito bem que algumas cobram para que você publique, já outras não. Estas últimas usam deste excedente dos livros dos youtubers ou livros de colorir ou sei lá mais o que, para que o seu livro seja publicado (ao menos é o que se espera, mas a economia é capitalista, vai que mesmo assim algumas continuem a cobrar)… Mas claro caso ele valha a pena receber o investimento.

Então se você é um leitor apaixonado deveria estar agradecido por isto.

E sobre a questão da Viih Tube: sexta passada na Campus Party, durante a mesa sobre livros publicados por pessoas que fizeram fama na internet, foi dado todo o contexto do tal vídeo. Ele foi gravado há um ano, quando a menina tinha quatorze anos. Ela errou feio o nome do artista, muita gente teve a mesma reação dos dias de hoje e ela gravou um vídeo resposta onde ela saia na rua e perguntava para os transeuntes se eles sabiam de quem era aquela tal obra e a maioria não sabia. Ela, uma criança, errou, mas mostrou que não seria a única que poderia ter errado.

(Resenha – Livro) “A arte de pedir”, de Amanda Palmer

A arte de pedir de Amanda PalmerTítulo: A arte de pedir

Autora: Amanda Palmer

Gênero: Autobiografia

Editora: Intrínseca

Páginas: 304

Ano: 2015

ISBN: 858057689X

“Se você amar as pessoas o suficiente, elas te darão tudo”

Publicado pela Editora Intrinseca, o livro “A arte de pedir” nos leva para um passeio pelo o mundo da Amanda Palmer, cantora e artista performática, em sua crença na empatia e sua fé na humanidade, embora seja vítima de cyberbulling e até mesmo de uma ameaça da morte.

Ela nos mostra o quanto solicitar auxilio é algo natural em nós, como sociedade, ao mesmo tempo em que insistimos que pedir é uma ação vergonhosa, uma vez que as pessoas não querem sentir-se vulneráveis. A autora também explica o quanto é difícil para um artista convidar alguém, mesmo entre seus fãs, a investir no seu trabalho e é exatamente neste ponto que a vemos repassar suas experiências corajosas com o financiamento coletivo (crowdfunding) e a reação negativa de algumas pessoas em relação a isso.

Além da Amanda, somos apresentados a vários nomes, dentre eles Neil Gaiman, seu marido, e Anthony Martignetti, seu melhor amigo. E é em sua relação com essas duas figuras que a narrativa se concentra, principalmente esse último; Anthony é um dos pontos mais importantes do livro porque é ele quem ensina para ela o valor da empatia, o que a ajudará mais tarde, quando começar a criar conexões com seus fãs e essa é a grande lição do livro: criar conexões com as pessoas, algo difícil, mas que levou a Amanda a conhecer lugares e histórias incríveis.

O livro é bem escrito e nos deixa curiosos acerca das experiências (ou melhor: as aventuras) da Amanda, além de despertar a sensibilidade em nós. Definitivamente nunca mais observarei artistas performáticos da mesma forma.

Aconselho a leitura, vale a pena.

Partidas

Festas de fim de ano sempre lembram-me a Antiguidade egípcia. Juro! Todos estão unidos para uma grande comemoração, famílias reunidas, cultos religiosos e até uma certa adoração ao nascer do Sol.

A minha virada foi em minha própria casa com a minha mãe e os meus bichinhos. Nunca passei uma virada sem ela que, com muita delicadeza, fez a minha comida favorita. Obrigada mãe!

A novidade deste final de ano foi a nova moradora da casa, a cadelinha Ísis, nome que foi sugerido por duas leitoras do A.E. Ela é meio louca, mas a gente aprende a conviver.

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Já o Bubi, como sempre, é bem na dele. Calminho, de boas e carinhoso. Ele já não liga mais para a presença de Ísis, mas definitivamente não gosta do jeito estabanado dela. Ele provavelmente é o único gato que tive que não liga para fogos de artifício e ama pisca-pisca.

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hum!!!

Além de comer muito ❤ passei a madrugada no computador trabalhando e claro que antes de dormir aproveitei para registrar o lindo espetáculo do Sol em sua primeira aparição de 2016. 😀

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Gravei um vlog mostrando um pouquinho de como foi a minha virada de ano. Não rolou contagem, amigos em meio a abraços, muita música, mas foi feliz… E olha que eu adoro uma festa hem!

Por fim, feliz Ano Novo gente!

Wishlist de livros para o início 2016

2015 já está chegando ao seu fim e no meio literário tivemos lançamentos de obras maravilhosas. Infelizmente muitos livros são assustadoramente caros, o que deixa os nossos carrinhos de “desejados” abarrotados nos sites de livrarias.

Abaixo estão alguns dos títulos que quero muito em minha coleção no início de 2016:

listta de desejado de 2016

 

1 – “S”: a Intrinseca nos brindou neste final de ano com a sua edição de “S”, do Doug Dorst e J.J. Abrams. Estou louca para lê-lo e passear por seus mistérios. O preço está bem salgado, mas compatível com todo o trabalho da editora.

2 – “A Menina Submersa”, edição limitada: A DarkSide é uma editora que “chegou chegando” com títulos de dar inveja e com capas lindíssimas, a exemplo deste da Caitlin Kiernan. Li algumas resenhas desta obra que me deixaram muito curiosa.

3 – “Hellraiser: Renascido do Inferno”: Também da Darkside. Escrito por Clive Barker, este livro foi escrito com a intenção de virar um filme, e foi o que  de fato ocorreu em 1987. Já cheguei a ver pessoalmente este livro e o acabamento e capa são extremamente bem feitos.

4 – “Jurassic Park”: Já estou ansiando por este livro do Michael Crichton há meses e certamente irá compor a minha estante quando eu menos perceber. Ele foi publicado pela Editora Aleph.

5 – “A profecia de Samsara”: Escrito pela Leticia Vilela e publicado através da Editora Gutenberg, este é o único nacional. Estou louca por ele desde o seu lançamento.

(Resenha – Livro) “Muito mais que cinco minutos”, da Kéfera Buchmann

Muito mais que cinco minutos da Kéfera BuchmannTítulo: Muito mais que cinco minutos

Autora: Kéfera Buchmann

Gênero: Autobiografia

Editora: Companhia das Letras

Páginas: 144

Ano: 2015

ISBN: 9788584390113

Entrando na aposta (certeira) de autobiografias de youtubers, a Companhia das Letras lançou agora em 2015 “Muito mais que cinco minutos”, de autoria da Kéfera Buchmann. Um sucesso absoluto e que em pouco tempo entrou para a lista dos mais vendidos do país.

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Kéfera é uma das maiores celebridades da internet, possuindo milhares de fãs espalhados em diferentes redes sociais. Seu sucesso teve início com o seu canal do Youtube, “5 Minutos”, criado em 2010 e que até hoje é um dos líderes em acessos no Brasil.

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O livro é bem ilustrado com fotografias da autora e a arte é linda. O li em pouco tempo porque o texto fluiu muito bem. As histórias narradas na obra são extremamente cômicas (não tenho palavras para o caso da depiladora), ao mesmo tempo que a Kéfera tem a preocupação de abordar assuntos mais sérios, como é o caso do bullying.

“(…) se você tem um amigo verdadeiro, valorize. É raro a gente conseguir achar pessoas que torçam sinceramente por nós. De verdade mesmo”

— Muito mais que cinco minutos; Kéfera Buchmann.

Na obra podemos observar um outro lado da autora que raramente é mostrado no Youtube, como os seus momentos de desespero, constrangimento, extrema tristeza na infância e adolescência e como dia após dia ela conseguiu contornar muitos dos seus problemas.

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Para mim, o único ponto negativo é que não são contadas suas experiências pós criação do seu canal, entretanto, ao final do “Muito mais que cinco minutos” a Kéfera sugere que esse será o tema de um suposto segundo livro.

(Resenha – Livro) “Não faz sentido: por trás da câmera” do Felipe Neto

Não faz sentido por trás da câmeraTítulo: Não faz sentido: por trás da câmera
Autor: Felipe Neto
Gênero: Auto-biograia
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 272
Ano: 2013
ISBN-13: 9788577343935
ISBN-10: 8577343936

Ler este livro foi quase um acidente: só o separei devido a um misto de curiosidade e tentativa de olhar o Felipe Neto de uma forma diferente, afinal, quando conheci o trabalho dele eu via um cara oportunista que queria chamar atenção fazendo vídeos criticando o que era popular no momento (confesso envergonhada que parte desta minha opinião foi moldada pela imprensa). Depois comecei a vê-lo como um rapaz que amadureceu e pediu desculpas por muitas besteiras que falou e, por fim, como alguém que criou um personagem icônico, mas que o usou para dar sua opinião acima da dos outros (embora o próprio Felipe insista para a sua audiência não usar o que ele diz como verdade absoluta).

Apesar de tê-lo separado, deixei o livro encostado por muito tempo, já que não estava muito inclinada a lê-lo. É tanto que eu tinha até esquecido da sua existência. Contudo, certa noite eu estava olhando de forma despretensiosa a minha lista de títulos e o vi lá no meio. Como o canal do Arqueologia está na sua fase de embrião para girino, e eu realmente tenho poucas referências sobre como lhe dar com o público, resolvi pegá-lo para ler.

Meu primeiro julgamento foi com a capa. Lá estava ele, aquele cara arrogante e os famosos óculos escuros me encarando. Não me levem a mal, eu já assisti vídeos do Felipe Neto e dei muitas gargalhadas com alguns deles, mas o ar prepotente do personagem sempre incomodou, o que, como consequência, não me dava espaço para simpatizar com o próprio Felipe.

Contudo, ainda temos o Felipe empresário, que é um cara que soube investir na internet e era esse o Felipe que eu queria conhecer mais, então resolvi fazer uma leitura.

A obra faz um passeio até o seu passado, nos apresentando algumas das situações que o levou a criar um canal no Youtube, seu estrondoso sucesso em visualizações e nos levando ao momento em que ele torna-se empresário. É uma leitura simples, despretensiosa, onde o Felipe abre o jogo e escreve de forma livre suas frustrações, sucessos e medos, e foi exatamente esse último ponto que mais gostei: a sua disposição em ser aberto com o leitor, falando sobre os seus problemas pessoais resultante do sucesso do “Não faz sentido”, a exemplo da sua depressão e dificuldades com ansiedade.

Também o vemos explicar como foi encontrar cara a cara seus “desafetos”, a exemplo da Preta Gil e o Fiuk, duas pessoas as quais ele reconhece que te deram lições para entender o sucesso e como sobreviver a todas as coisas negativas que vêm com ele.

Porém não creio que o autor tenha entendido bem o seu papel no mundo do entretenimento ou ele estava ainda imaturo quanto a isso na época em que escreveu sua auto-biografia, porque no próprio “Não faz sentido: por trás da câmera” ele fala que entretenimento não educa, mas em várias passagens ele explica a gratidão de alguns professores que usam/usavam seus vídeos em sala de aula. Foi contraditório.

Contudo, embora ele seja conflitante e algumas vezes até agressivo, para quem quer conhecer a história do Youtube no Brasil vale a leitura. Por mais que o trabalho dele não me agrade é inegável a importância da história do Felipe para o desenvolvimento na criação de conteúdo para a internet.

No geral, é uma leitura interessante, mas não está entre as melhores que fiz neste ano de 2015. Acredito que o Felipe e o seu editor deveria dar uma repaginada no material. Ele tem muitas histórias interessantes para contar, mas por hora “Não faz sentido: por trás da câmera” é só uma leitura satisfatória e com algumas boas curiosidades.

Já para quem é fã certamente será um prato cheio.